Varejo de bens acelera para alta de 4,77% no 3º trimestre e sinaliza virada de ciclo, aponta IBEVAR-FIA Business School

Serviços de conveniência e crédito digital sustentam alta de 2,8% no setor, mas juros de 62,82% ao ano e inadimplência de 7,66% seguem represando saúde, imóveis e educação

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O varejo brasileiro de bens registrou, no terceiro trimestre de 2026, seu melhor desempenho recente: alta de 4,77% na comparação com o mesmo período de 2025 e avanço de 1,88% frente ao trimestre imediatamente anterior. Os dados são do Índice de Vendas do Varejo Ampliado, compilados pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e do Mercado de Consumo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School, com base em informações do IBGE, Banco Central e Ipeadata. Após um segundo trimestre estacionário, em que o crescimento se concentrava apenas em tecnologia e bens de maior valor unitário, o levantamento aponta agora uma recuperação disseminada por praticamente todas as categorias pesquisadas. 

Recuperação disseminada entre categorias 

Móveis e eletrodomésticos lideram a expansão anual, com alta de 5,00%, seguidos por outros artigos de uso pessoal e doméstico (+6,84%), farmácias e perfumarias (+3,84%), automóveis (+3,79%) e vestuário e calçados (+3,52%). Materiais de construção voltaram ao terreno positivo (+2,64%), assim como hipermercados e supermercados (+2,98%). A exceção relevante permanece no segmento de livros, jornais e revistas, que aprofunda a retração para -12,10% no comparativo anual — movimento que o IBEVAR-FIA Business School classificam como estrutural, associado à digitalização do consumo, e não como reflexo do ciclo econômico corrente. 

Serviços seguem pressionados por crédito caro e inadimplência elevada 

O varejo de serviços deve fechar o terceiro trimestre com variação ponderada estimada de +2,8%, repetindo o padrão observado no período anterior: segmentos digitais e de conveniência — aplicativos de entrega, transporte por aplicativo e seguro de automóvel — sustentam o resultado agregado, enquanto os segmentos de maior peso no faturamento, como seguro-saúde, atendimento médico e imóveis, continuam puxando o índice para baixo. O ambiente de crédito permanece restritivo: a taxa média de juros ao consumidor em operações com recursos livres atingiu 62,82% ao ano em maio de 2026, alta de 3,84 pontos percentuais em doze meses, enquanto a inadimplência da carteira de pessoas físicas chegou a 7,66% em julho. 

Primeiros sinais de estabilização na inadimplência 

Apesar do nível elevado, o ritmo de deterioração da inadimplência dá indícios de desaceleração: a variação mensal recuou de +1,66 ponto percentual em dezembro de 2025 para +0,89 ponto percentual em julho de 2026. Para o IBEVAR-FIA Business School, o dado sugere que o pior momento da curva de inadimplência pode estar ficando para trás, ainda que o alívio não seja suficiente, por ora, para destravar a demanda por serviços de saúde eletiva, educação e moradia. 

“Pela primeira vez no ano, bens e serviços crescem simultaneamente com alguma consistência. A economia aparentemente superou o estancamento do segundo trimestre e retoma um crescimento moderado, puxado principalmente por bens duráveis e serviços digitais — justamente os segmentos que dependem menos de financiamento de curto prazo e mais de renda corrente e conveniência. O risco de reversão continua concentrado em saúde, imóveis e educação, áreas que acumulam quedas e respondem por parcela expressiva do faturamento do setor de serviços”, avalia. Claudio Felisoni, Presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School. 

Projeção das vendas no varejo por categoria — 3T26 

Categoria 

3T26/2T26 

3T26/3T25 

Móveis e eletrodomésticos 

2,81% 

5,00% 

Outros artigos de uso pessoal e doméstico 

3,39% 

6,84% 

Artigos farmacológicos, médicos, ortopédicos e perfumaria 

1,85% 

3,84% 

Tecidos, vestuário e calçados 

2,27% 

3,52% 

Automóveis, motos, partes e peças 

0,08% 

3,79% 

Materiais de construção 

2,16% 

2,64% 

Hipermercados e supermercados 

0,04% 

2,98% 

Hipermercados, produtos alimentares, bebidas e fumo 

-0,02% 

2,79% 

Combustíveis e lubrificantes 

0,02% 

2,10% 

Equipamentos e materiais para escritório e comunicação 

-1,44% 

4,11% 

Livros, jornais, revistas e papelaria 

-3,68% 

-12,10% 

Varejo restrito 

-0,04% 

1,14% 

Fonte: IBEVAR/FIA Business School, com base em dados do IBGE (PMC). 

Renda e ocupação: desaceleração, mas ainda em expansão 

A massa de rendimento real habitual de todos os trabalhos cresceu 4,81% em maio de 2026 na comparação anual, ritmo inferior ao registrado um ano antes (5,67% em maio de 2025), segundo dados da PNAD Contínua. O número de pessoas ocupadas também perdeu força, com alta de 0,82% em maio de 2026 ante 2,49% em maio de 2025. Ainda assim, a expansão da renda — mesmo em desaceleração — segue sustentando parte da demanda das famílias, em contraponto ao aperto nas condições de crédito. 


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