As redes sociais invadiram a praia do varejo e isso é bom

Por Roberto James é mestre em psicologia, especialista em comportamento de consumo e conselheiro de empresas-
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O varejo nunca mais será o mesmo. A presença das marcas nas redes sociais deixou de ser apenas uma questão de vitrine digital para se tornar um ponto central da experiência de compra. Em um cenário cada vez mais competitivo, ganha quem entende que conexão com o cliente vai muito além da venda: envolve sensibilidade, escuta ativa e presença constante.

Durante décadas, dominar o produto e se aproximar do cliente eram estratégias suficientes para manter boas taxas de conversão. Mas o avanço das redes sociais deu ao consumidor mais informação, autonomia e poder de decisão. Ele já não aceita experiências desconectadas da sua realidade, muito menos barreiras que o impeçam de comprar da forma como deseja.

O livro O Consumidor Tem Pressa analisa em profundidade essa transformação. Em seu terceiro capítulo, descreve como as redes sociais invadiram, de forma irreversível, as relações de consumo. O cliente quer ser ouvido, atendido e encantado sem sair do feed. Ignorar esse comportamento é como abrir uma loja em uma praia deserta.

O dado mais recente do relatório da Kantar, encomendado pela Meta, reforça essa percepção: 42% dos clientes pesquisam online enquanto visitam lojas físicas. A jornada de compra deixou de ser linear e passou a acontecer em múltiplas telas, plataformas e momentos, e quem não estiver presente nesses pontos de contato perde relevância.

Apesar disso, muitas empresas ainda cometem um erro comum: marcam presença nas redes sociais de forma passiva, engessada e desconectada do comportamento do consumidor. Um exemplo emblemático é o de negócios que atraem pelo visual nas redes, mas frustram ao informar que não vendem pelo Instagram. A comunicação, nesse novo contexto, precisa ser uma ponte, nunca uma barreira.

O novo consumidor não quer ser fidelizado por programas de pontos, ele quer ser compreendido. Isso exige atuação ativa e sensível das marcas nas redes sociais, antecipando desejos e oferecendo soluções no momento certo, como aquele quiosque no metrô que oferece exatamente o pão de queijo que o cliente acabou de ver em seu feed.

Varejistas que não entendem essa lógica correm o risco de desaparecer do radar emocional do consumidor. A concorrência não se limita a quem vende o mesmo produto, disputa-se também o tempo, a atenção e o desejo do cliente, muitas vezes por conteúdos e experiências que nada têm a ver com a sua categoria de atuação.

O consumidor moderno tem pressa, mas também tem filtro. Ele busca conteúdos úteis, divertidos e convenientes. Por isso, antes de querer ser necessário, sua marca precisa ser interessante. E mais do que isso, precisa ser lembrada antes mesmo de ser procurada.

A conclusão do livro é direta e urgente: ou a marca aprende a se conectar com o consumidor com empatia, estratégia e presença digital relevante ou será apenas mais uma esquecida na areia.


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